quinta-feira, 15 de março de 2012

YOU KNOW THAT I'M NO GOOD



Você chorou, ligou, implorou. Enviou torpedos, e-mails, cartas, flores, bombons. Venceu pelo cansaço, pelo amor exagerado, pelos mimos, beijos e sexo bom. Era o cara certo, na hora errada. Eu não estava preparada para toda sua intensidade amor, desculpe. Aí forçamos a barra, forçamos a hora e deu errado. Eu sabia, eu te avisei. You know that I’m no good.

Mas antes de dar errado, deu certo. Vc se tornou meu melhor amigo, meu companheiro-de-todas-as-aventuras, o melhor homem que conheci e, finalmente, meu amor. Eu te amei, sabia? Muito! Estive sempre brigando com aquele meu lado libertino e o sufoquei pra ficar com vc. Fomos felizes, lembra? Pena que não por muito tempo.

Minhas trevas chamaram de novo e eu quis ir embora. Então você chorou, ligou e desta vez ameaçou e sofreu. Enviou torpedos, e-mails, cartas. Bateu na porta da minha casa. Venceu por luta, por eloquência e por mérito. O amor exagerado já não existia mais. Ficou só carinho e sexo bom. Tarde demais, baby. Eu já estava mal acostumada com chocolate doce, detesto o meio-amargo. Well... you know that I’m no good.

Aí eu decidi não ir mais embora e finalmente me preparar para todo aquele seu antigo amor que não existe mais. Que tragédia! Não temos timming, não temos sintonia, somos agora só rancor e dor, leões perdidos em egos feridos, fadados ao fracasso. Agora eu sou a mulher certa, na hora errada. Agora fico ridícula numa cinta-liga, meu perfume é fedido, minha roupa é cafona, minha comida é salgada, meus filmes são chatos, ir ao cinema comigo, nem pensar. 

E vc se tornou um daqueles caras que sempre me esnobaram, me usaram e me fizeram perguntar o que havia de errado comigo. Caras que eu aprendi, por sobrevivência, a odiar e a descartar.

Não te reconheço. Hello, stranger! Game is over?

Podia ser qualquer um, mas vc não. Não meu amor, vc não. Vc era aquele cara cujos olhos brilhavam ao me ver. Aquele que veio com mentos e coca-cola nas mãos. Veio com piadas ruins, com casa, comida e roupa lavada. Hoje seus olhos estão secos, suas mãos estão vazias. E não há mais nada do homem que eu aprendi a amar. Do homem que, generosamente, esperou que eu o amasse.

Desculpe, querido. Eu não posso esperar que vc me ame de novo. Na verdade, não acho possível. Na verdade, nem consigo fazer isso. Também não quero. Não quero testemunhar a morte do seu amor, do que resta do seu antigo eu. Deixe-me ficar com as lembranças! E Desculpe por não dispor a mesma generosidade, é que não tenho talento pra sofrer. Tipo, nenhum.

Não tenho talento pra (re) conquistar, convencer, induzir, insistir, implorar. Não tenho talento para mandar cartas, e-mails, torpedos, bombons. Nem talento, nem paciência. Sou dessas que conquista sem querer, oops, i did it again! Sou dessas que prefere o já, o imediato. Tenho urgência de viver, honey.

Eu não posso esperar porque não acredito no que vc hoje chama de amor. Não acredito mais em vc. Em nós. Acredito mais no seu corpo, que diz a verdade quando suas palavras mentem.
Não posso esperar porque o melhor de mim vinha de vc. Do que vc era. Não sou nem a metade do que posso ser quando estou com medo, insegura, triste, desconfiada. E aí também não posso te fazer feliz.

No mais, estou indo embora, baby. Vou, por não ter onde ficar. I told you, I was a trouble. You know that I’m no good.


segunda-feira, 5 de março de 2012

EX BOA É EX MORTA OU VICE-VERSA


Penélope ou Johansson? Uni-duni-tê, salamê-minguê...

Como fiel discípula de Bentinho e Otelo, endosso o coro: ex boa é ex mor-ta. Falecida da Silva marré deci. E não importa o quão legal ela seja, pra sua namorada, será SEMPRE uma mina que vc comeu. Seeeempre, forevah. Mas calma, isso pode mudar se vc tomar todos os cuidados iniciais. Vale pra homem e mulher. Afinal, ex não tem gênero e o ciúme é universal. Feliz era Eva porque Adão não tinha ex.

Comecemos: nada contra amizade com ex, acho saudável até. Mas alto lá! Se vc tá namorando e mantém esse tipo peculiar de amizade, faça às claras e siga as regras de etiqueta. A menos que vc tenha más intenções e aí não vou entrar no mérito.

Quando eu era guria e tinha muitos pretendentes (CAHAM) e não sabia bem como dispensá-los, chamava todos de uma só vez pra tomar cerveja. Era batata: os meninos ficavam mui amigos e eu era jogada às traças. Saía de fininho, bem à francesa, ninguém percebia. Enquanto o papo girava entre futebol, carros e piriguetes, às gargalhadas.
No entanto, isso não funciona muito com mulheres. Nem pense em chamar a ex, a atual, a vizinha gostosa e a amiga da vizinha, que vai dar briga. Mulher é naturalmente competitiva, tá no gene, não importa se ela foi ou não 'Miss Bairro' na infância. E não raro a disputa não será exatamente  seu amor, mas quem é a melhor. Por mérito e por justiça. Às vezes, por unhadas e puxões de cabelo, vá lá. Depende da procedência das menines.

Mas se vc faz questão de manter amizade com a defunta e decide arriscar, ok. Vem com a tia e vê se aprende. Há regras de etiqueta para a boa convivência de um quase-pseudo-triângulo-amoroso:

1. Sem lembranças. Nada de ficar falando, na frente da atual, sobre aquele cruzeiro que vcs fizeram em Cancun ou sobre aquele presente que vc trouxe pra ela de Paris. Ou sobre como vc se dava bem com a família ou com o cachorro dela. Jamais, em hipótese alguma. Isso vale pra ambos, aliás. A não ser que o objetivo seja causar discórdia e aí é mesmo um prato cheio. Vc pergunta: 'e vou falar sobre o quê?'. Respondo com outra: vc fala sobre viagens a dois, presentes especiais e família com suas outras amigas? Suponho que não. Mentalize que agora sua ex é um macho. Tem pinto no lugar de buceta. É Tarzan no lugar de Chita. Eu sei que é difícil, porra, vc cansou de comer esse baguete. Mas mentalize, foco é importante.

2. Sem intimidades. Nada de brincadeirinhas, carícias, abraços longos, beijinhos inocentes. Sugiro que vc sequer TOQUE na sua ex, sério. Pelo menos não na frente da atual. Toque lembra sexo, pense nisso.

3. Clareza. Deixe bem claro qual é o papel de cada uma na sua vida HOJE. Ciúme é um bichinho passional. Não adianta vir com argumentos sólidos, ele não reconhece. Portanto, use as palavras, mas é importante que vc insista nos GESTOS. Aja como amigo de uma e latin lover da outra, na medida. Lembre-se que a parte insegura do triângulo será sempre sua atual e ela vai pensar assim: 'se ele me paparica demais, tá tentando fazer ciúme pra outra. Se de menos, dá mais valor na outra'. O raciocínio é simples: teoricamente, a ex conhece vc melhor que ela e será vista sempre como um fantasma se vc não resolver as coisas de início. Sabe aquela pinta que vc tem no pinto? Sua ex também sabe. Sacou?

4. Deixe-as a sós. Não force uma amizade entre as duas, mas tbm não largue mão de tudo. Esteja sempre de olho. Se os 3 primeiros passos funcionaram bem, certamente, elas serão boas amigas e lhe darão sossego. Mas no início é preciso que vc seja um cão de guarda mesmo, não tem jeito.

Vc pode pensar: “Ah, minha namorada é segura, foda-se”. Então, amigo, me dá a receita e o nome dessa super-namorada. Porque eu não conheço UMA que diante dessas situações não ficaria puta. Por bem menos, até. Eu mesma, nordestina e neta de sertanejo que sou, tenho sanguinuzóio. Nego me faz uma dessa e amanhece com o pau na boca. Então prestenção que de mulher eu entendo.

Se por qualquer motivo vc ainda convive com o cadáver, mas namora outra, é bom zelar pra manter ordem na pocilga. Namoro é consenso e sim, vc precisa abrir mão de umas coisas e passar a aderir outras, faz parte do show. Não tá disposto? Fique solteiro e hasta la vista. Afinal, antes um passarinho na mão, blablabla.

O cinema traz três longas com esse tema ahn... polêmico. 'O Casamento do Meu Melhor Amigo' com a chata da Julia Roberts no papel da ex que será a madrinha de casamento do cara. 'O Melhor Amigo da Noiva' no qual o lindo Patrick Dempsey se descobre apaixonado pela melhor amiga prestes a subir ao altar. E 'Vicky, Cristina, Barcelona', no qual Javier Bardem descobre o ápice da relação com a ex ao viver um menage a trois. Delicinhas de comédias românticas, super indico.

Bom, é isso. Espero que eu tenha ajudado a divulgar a receita da (sua) Paz Mundial.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

GOODBYE, SUNSHINE!



Melancolia para os piores momentos da vida, em um lindo dia de sol. Goodbye, sunshine! Adeus sem choro nem velas, sem nenhuma palavra. Tudo assim, avesso, errado. Feito eu. Que ainda não sei se fui feita de pão ou vinho, mas certamente não sou de algodão-doce, maçã do amor ou sexo frágil. Já ele era o exato oposto.

Nesses últimos meses, vivemos anos. Trocamos ofensas e carinhos na mesma moeda. E momentos de certeza. Daquela certeza que apenas os apaixonados possuem, numa pretensão esquizofrênica do amor, do “dois contra o mundo”, do “para todo o sempre”. Perdemo-nos incansáveis vezes e lutamos por nós, também, em vezes incansáveis. Assim que é o triste reco-reco da rotina, no sagão ou na sala de estar. Na cama melhorava e era ali o único momento gêmeo de nós.

Não tínhamos música ou filmes. Apenas cobertores e resolvia. Éramos razoavelmente bonitos numa foto. Até que fomos engolidos por outras promessas, outros vícios. Morremos enredados na nossa própria miséria, nossa posse mesquinha. Pedimos socorro, mas já estávamos em naufrágio. Too late, too late. E lá se vai o último suspiro.

Goodbye, Sunshine!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ADEUS, MON AMOUR!




Houve um tempo em que os homens deixavam suas mulheres para se tornar heróis de guerra. Mil vezes o último beijo e a última noite de amor antes de partir. Acredite, colega: bons eram ESSES tempos. Hoje ninguém sabe dizer ‘adeus’. É foda o abandono. Do outro e do que vc gostava de ser com o outro. Fotos queimadas, chaves devolvidas, coração em arquivos. No fim, a gente sempre lembra do começo.


Trocada por outra, pelo bar, pelo cigarro, pela vida. Sorte seria apenas dor de cotovelo. Na verdade, o corpo inteiro dói na falta. E, se Deus for justo e se o universo conspirar a favor, ele volta pra vc. Ele fica com vc. ‘Pense em mim, chore por mim, liga pra mim’. Uma pena de si mesma, uma pena do futuro sem o amado.


Não se vê sem ele porque, na verdade, nunca se viu sozinha. Não sabe como é contar os passos com a solidão. Não sabe, não sabe. ‘E agora, quem poderá me defender?’. Vc virou uma donzela. Brada respeito lá fora, mendiga amor em casa. E te falam: ‘Amiga, não chore. Olhe, virá outro amor. Nada melhor para esquecer ESTE amor’. O escambal o outro amor! Pro inferno o outro amor! Que outro amor, se só conheço um?? Chore, chore mesmo. Todas as pitangas. Chore de se exaurir. Viva todos os be-a-bás do abandono. Da saudade, da dor. Depois há de se tornar uma She-Ha com milhares de Poderes de Greyskull, juro pra vc.

Um dia eu conheci um moço que morava longe. E eu achava que era um canalha qualquer, como todos os outros. A conversa rendeu mesmo assim, tímidos, nervosos, sem nenhuma intenção de impressionar. Apenas ali. Chamávamo-nos por condinomes, pseudônimos, apelidos carinhosos. Éramos secretos, discretos.

Eu vivia me boicotando nessa busca que a humanidade tem pelo amor. Desacredito piamente e, como boa leonina/escorpiniana, sigo incrédula. E aí o rapaz me apareceu com essa de desafiar as leis da física. Parecia encomendado. ‘Vc é linda’, ele dizia. Não assim, como se vê nos filmes ou nas novelas, com a banalidade do hábito. Não. ‘Vc é linda, mais que demais. Vc é linda, sim’, como Caetano. Caetanizando. Caetanizou-me.

E foi assim, tudo lindo mesmo. Por dentro, por fora, por cima, por trás. Cheiro de Gim. De sexo e de drogas. De amor inventado, de dor gostosa. Olho no olho, dente no dente, boca na boca. Mãos, pele, cada pedaço de língua e de saliva.

Não era apenas um quarto de motel. Era no meio da ladeira, no Corcovado, no Planalto Central. Ele pedia um cigarro, eu pedia um café. Estávamos ali, conversando sobre o quão difícil era ser o que éramos. Estávamos em silêncio e estávamos à vontade.

Então ele se foi, como todos os outros. Precisava voltar para sua vida. ‘Adeus, mon amour!’. Aí ele se recusou a dizer adeus. Recusou-se a morrer como todos os rapazes daquele bucólico bairro de Londres. Era um Highlander entre a espécie.

E eu não soube me despedir. Visto-me de várias só pra não ter de me despedir. Porque desde então, ele renasce todos os dias de uma saudade longa, quase dilacerante. ‘Não se vá, não me abandone, por favor...’. E o amor é brega, senhoras e senhores. Um brinde e um desgosto:

‘Dizer adeus é uma dor tão doce, que’u passaria a te dizer boa-noite até o raiar do dia...’
(William Shakespeare – Romeu & Julieta)

Agora somos livro sem final, cheque em branco. Seremos para sempre aqueles que poderiam ter sido. Enterrados vivos e constrangidos, antes de conhecer os hábitos e o triste reco-reco da rotina.

O rapaz foi a alma de todos aqueles que me abandonaram. Trocada por uma partida de pôker, por um round de luta livre, por uma viagem ao Leste Europeu, por uma ex-namorada maluca, por uma amante ninfomaníaca e todos esses personagens que a vida traz e o tempo leva.

Minhas condolências aos desamores, pois. Vocês foram ótimos, mas partiram antes de saber que eu sei misturar geléias, que eu olho nos olhos, que meu corpo samba Bossa, que meus seios são feito manga com gosto de pêra.   

Mas agora, que as palavras os transformem em pó. E me ajudem a não amanhecer feito pão dormido. Good Bye, Lenin! Good Morning, America!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

MADALENA É



De Madalena, só tinha o nome. Não chorava, mal sorria, não sofria, não era santa, nunca passou fome. Às vezes, não usava pintura alguma e noutras, seus lábios eram de um carmim inconfundível. No corpo apagado trazia um vestido de chita tão sem graça, que era quase impossível diagnosticar de onde vinha aquele fogaréu dos olhos cinzas.

Acordava de camisola, ficava assim a tarde inteira, olhando pro teto, caçando letrinhas. Depois organizava tudo na ‘cachola’. Quando resolvia levantar, era pra comer um miojo e depois contar, toda lamentosa, que só comeu miojo.  Seu apartamento parecia um museu: vitrolas, radiolas, vinis, máquina de escrever. Elvis, Marilyn, Janis, James Dean, todos juntos e envidraçados no longo corredor. Tinha 160 anos, mas parecia 22.

Madalena queria era ser professora só pra poder usar óculos como se fosse enfeite, como se fosse adjetivo. Mas, de repente, lembrou que era viciada em palavrão e pornografia. Mas pôxa, também era viciada em palavrinhas, neologismos e os timbres que saía falando a esmo, tão acima dos reles mortais, tão despretenciosamente acima da vãs inquietações humanas. Falava bem português, mas falava inglês sem saber verbos irregulares. Falava sobre política e futebol como se o presente fosse passado e vice-versa.

Madalena achava que o tempo não passava. Aí anotava tudo em papeizinhos miúdos, em letras criptográficas. Anotava sentenças herméticas nos espelhos de casa, com batom rosa da Mac. E não tinha pressa. Nunca. Quando chovia, andava devagar e chegava em casa ensopada.


Telefonava para o broto, estendida no chão frio. E dizia que trocaria de vida com o rapaz. Fácil. ‘A vida seria mais bela com um pinto no meio das coxas, né?’. Porque queria andar sozinha na rua de madrugada, porque queria arrancar a blusa quando seu time fizesse um gol, porque queria comer todas-as-menininhas-e-não-sair-falada, porque queria fazer xixi em pé. ‘Pô, seria demais!!’.

Madalena era sinestésica. Ia pra varanda, fumava um maço de cigarro e pensava em coisas brancas, pretas, azuis, vermelhas, amarelas. Sua vó era rosa com marrom. Sua mãe era lilás e o homem que mais amou na vida era azul com preto. Aliás, feio. Madalena achava muito bonito um homem muito feio. Sean Penn, Benicio Del Toro.   

Ia ao cinema sozinha esperar um príncipe encantado. Ia pra balada, bebia 3 mojitos, 2 tequilas e dava vexame modelo grande, ria à toa. Estudou Ballet, não tinha vocação e desistiu, mas ainda trazia aquele típico ar blasé. Estudou teatro, até tinha algum talento, mas também desistiu. Remoía as perdas e traições no escuro da sacada, sem contar a ninguém. Amanhecia chorando, anoitecia dançando.  Manchava a blusa branca, expulsava o cheiro de Vanilla.

Adorava os filmes de terror e os de zumbi, mas tinha horror a gente morta, histórias de espírito, ladrão em casa e baratas. Tinha dó do mendigo estendido no chão com um cachorro encardido. Aí ofereceu uma lata de sardinha ao pobre homem.

Madalena se fazia de tonta, de sonsa, de louca, de morta. Perambulava segredosa em todos os mundos, em todas as tribos.  Não era unanimidade, nem queria ser. Era toda madura naquela pretensão de quem nada ouve, nada fala, nada vê. Aliás, crer sem ver. Adorava o impossível e aquele cara que andava sob as águas, transformava água em vinho, multiplicava pães e peixes. E detestava as coisas ridiculamente possíveis, na palma da sua mão.

Sobre isso, comia uma fruta verde e não jantava, desejando infinitamente um Petit Gateu. Estranha era a vida sem Petit Gateu de graça nas praças, nas lanchonetes. Estranha era Madalena, pois.

Não sabia o que seria daqui a 10, 15 anos. Não gostava de não ter patrimônio, nem legado, nem segurança. Madalena já parecia quase 30 agora e sentia o peso daquela sociedade enredada nos costumes patriarcais, de que a esta altura, ela já devida ter tudo: Uma casa, um marido, um filho, um carro e um cachorro chamado Totó. Achou que o tempo se encarregaria de mandar essas coisas triviais. Talvez não fossem assim tão triviais como julgou.


Tinha quase 30 e não tinha nada além de olheiras.

terça-feira, 5 de abril de 2011

AMORES, MULHERES E A SUA GRANA


Sim, nós somos mesmo essas víboras que amam Carolina Herrera e um colar de diamantes. Especialmente, se forem presentes. Taí a musa que não me deixa mentir:




Nada demais gostar de bufunfa, gaita, tutu, money. Na-da de-mais, meu caro. Arriscando Voltaire: ‘Quando se trata de dinheiro, todos somos da mesma religião’.

No entanto, há uma linha tênue entre interesse e ambição. A interesseira é uma sangue-suga, a ambiciosa é uma visionária. Percebe o timming?

Há mulheres que não têm nada além de um peito e uma bunda. Talento e ralação que é bom, fica devendo. E há mulheres que além do peito e da bunda, têm um cérebro, aí não dispensam um empurrãozinho. Batalham na vida, mas rezam 20 ave-marias e 100 pai-nossos para entrar no Shopping Morumbi, esbarrar num ricaço boa-pinta e ser feliz para sempre. A Fórmula 1 tem excelentes exemplos extra curriculares de mulher interesseira e mulher ambiciosa:

Bernie Ecclestone e sua adorável esposa 28 anos mais nova. 
É claro que ela se apaixonou pela doce personalidade deste senhor, né?


Ela já era Xuxa enquanto desfrutava do ícone Senna. 
Mas custava nada dar um UP na carreira, né não? 
Exemplo de moça ambiciosa.

Aí eu te mostro que essa moeda tem dois lados. Diz aí pra tia se uma conta de 6 dígitos e um carro importado não iam facilitar sua vida, garanhão. Hein? INCLUSIVE pra pegar mulher. E depois, é claro, escroto como vc é, reclamar o tipo de mulher que pegou. Mas veja bem, meu bem: se vc é desses que precisa disso, vejamos o tipo de homem que vc TAMBÉM é. Elas por elas, certo? Tá acompanhando o raciocínio?

Okay, agora que estamos entre iguais, prestenção: se vc fosse uma mulher bonita, gostosa e inteligente, entre um cara bonito e rico e outro bonito e pobre, sem mais delongas, QUEM vc escolheria?

Ah, eu escolheria quem é mais legal, né? è Enfia a hipocrisia no cu, loser!

Um cara bonito e com grana é legal e pesa SIM, no nosso bom conceito, mas não é fator determinante. Igual pau grande. É bom, bonito e tal, mas não é fundamental. Pelo contrário, em certos casos, a gente até corre dispensa. Certo? Certo.

Vou te contar um segredinho: tudo que uma mulher quer é um PAI com quem possa trepar. Issaí. Mas Freud explica, calma. A gente quer um cara forte, que nos proteja e nos diga 'everything is gonna be alright, baby. OH, YEAH!'. Tudo que a gente precisa é segurança.

Take it easy, darling. I’m going!

E cada uma encara segurança de uma maneira diferente. Ou é um cabra forte, ou rico, ou mais velho ou mais inteligente, whatever. Ele precisa demonstrar algum poder, que não é, necessariamente, monetário.

Então não adianta se é rico, mas mão-de-vaca. Melhor que seja classe-média, mas generoso. E generoso em todos os sentidos. Não adianta também se é mão-aberta e insensível. A gente procura o pai dos nossos filhos e ele precisa ser carinhoso, carinhoso, carinhoso. Quase um ursinho carinhoso, mas se aquela overdose. Pura ciência, vai por mim.

Minha vó dizia que uma mulher tem duas chances de ficar rica: quando NASCE e quando CASA. Bom, eu não nasci rica, mas ainda tinha um tiro pra dar. Eu batalho todo dia e ralo pra caralho, especialmente, na minha ilustrativa saga de nordestina em São Paulo. Daí independente que sou, sempre sustentei aquele discurso de mulher descolada, bem resolvida, coisa e tal. Mas não duvide que volta e meia sonhava com um marido lindo, rico e apaixonado, loiro, de olhos azuis que me levasse para as Ilhas Gregas em plena segunda-feira pós-carnaval.

E carros importados, massagens linfáticas, férias no Caribe e milhares de colares de diamantes. No mínimo, recompensá-lo-ia no conforto da nossa mansão, toda bonita, cheirosa, gostosa e BEEEM disposta, se é que vc me entende.

Sim, eu trabalho e me banco, sei abrir portas de carro, latas de sardinha e tudo mais. Mas a-do-ro quando um homem faz por mim e isso nunca feriu minha independência. 

Portanto, paga a conta sem reclamar aí, ô, assalariado.

Isso é que é vida, que me perdoem as feministas

Para finalizar em bom português: mulher que SÓ procura a conta bancária de um homem merece um casamento com SEPARAÇÃO de bens ou, na melhor das hipóteses, ter que dividir essa grana com 6 filhos - um de cada ex-mulher, que é para a pensão ficar assim... justa.

Pois já bem dizia Paulinho da Viola que ‘dinheiro na mão é vendaval e... solidão’.

Como as mulheres são muitas e variadas, só posso falar por mim. Daí arrisco dizer que falo por uns 85%. Os outros 15% é que não tem cojones para assumir a verdade. EU, Isadora, acho dinheiro ótimo, mas é só um bônus, não uma necessidade. Meu namorado tá longe de ser rico, mas supre bem essa coisa de mimar, paparicar, proteger, louvar, dizer que eu tô linda até quando acordo de cara amassada e remela no olho pela manhã. Além de ser um pai com quem eu trepo.

Como não gosto de pedir nada a ninguém, prefiro, enquanto realidade atual e palpável, ter e gastar o que é meu, por direito e suor de labuta. Então “interesseira” é a mãe, babaca.

Maaaas... se um dia ele for rico, eu é que não vou reclamar. 

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quarta-feira, 30 de março de 2011

MARIA NOSSA DE CADA DIA

Ai, Bial!! R$ 1,5 milhão por um programa???


Maria, atriz e, SUPOSTAMENTE, garota de programa, é hoje, a ÚNICA mulher bonita e gostosa e burra que vence um Big Brother. Sabe por quê? Porque mulheres não votam  para que mulheres ganhem. Ainda outro dia, escrevi sobre o quão tamanha é nossa desunião. No entanto, não estou a dizer que devemos nos unir CONTRA os homens. Isso é bobagem. Precisamos tanto deles quanto eles de nós. Há coisas que valem para um e não para o outro. Felizes nas diferenças, infelizes na sobreposição de gêneros.

Devemos nos unir para sermos mais justas com nossa própria classe. Para estarmos em paz com aquela vizinha linda, rica e gostosa e, quem sabe até, ser a melhor-amiga-de-infância dela. É assim que se conquista o mundo.

A questão não é se vc torceu ou não por Maria, não é nem se vc assistiu ao Big Brother Brasil. Mas é, sim, sobre preconceito. É sobre aquele cara que acha que ela não merecia ganhar APENAS por ser ‘prostituta e representar as vagabundas deste país’. Ou aquele que acha que namorar uma preta é promiscuidade. Que se o filho nascer viado, deve bater até que ele vire macho. Farinha do mesmo saco.

O que, afinal, Maria fez? 


Ficou com 2 caras no mesmo programa. Okay, aí vc nunca ficou com duas garotas, em momentos diferentes? AHAM. Bebeu, se rastejou e se humilhou para o cara em cadeia nacional. Eu aposto com vc, garanhão, como sua namorada, sua ex-namorada, sua irmã, sua prima, sua colega de faculdade, QUALQUER mulher já fez o mesmo.

Já foi bater na porta do ex-affair só para ouvir um passa-fora pessoalmente, já enviou milhares de presentinhos para a casa dele, já morreu de chorar e enviou 30 SMS e 10 emails, já tomou todas e ficou com o primeiro que apareceu numa vontade mórbida que o amado soubesse e ela pudesse, enfim, vingar seu pranto. Já foi rejeitada não uma, mas duas, três, quatro, cinco vezes pelo mesmo homem ou por homens diferentes. Tudo por carência, falta de amor próprio e uma boa trepada. 99,9% das mulheres da SUA vida já fizeram isso e, se não fizeram, farão. Essa é que é a tremenda verdade. E falo porque sou mulher e, de mulher, eu entendo. Hein, meninas?

Desculpe se estraguei seu sonho dourado, se até ontem vc achava que sua irmã mais nova era virgem. Mas se te consola, posso te garantir que até a Sandy dança o Créu e a-do-ra, só não tem cojones, tadinha. Aí agora quer pagar de Devassa.

TODA mulher carrega anjos E demônios. Maria é nosso demônio. É nosso passo em falso, nossa cagada homérica, nossa dignidade por 1 minuto esquecida. Nem feminista, nem machista, mariar é ser mulher, é ser homem, é ser você mesmo.


'Don't cha wish your girlfriend was wrong like me?'


É muito fácil dizer que fulana só serve pra comer, a outra é que serve pra casar. É fácil, numa mentalidade taxativa, dividir mulheres em putas ou santas. Lugar de santa é na igreja, acordem! Mulher pra comer, a vagaba, é aquela que te jura amor eterno e te chifra com teu melhor amigo. E mulher pra casar é aquela que de fato te ama e DEMONSTRA isso. E não dar uma mariada vez ou outra, pelamordedeus.

Uma visão sexista é tão ingênua quanto frágil. Reduzir uma mulher a um pedaço de carne é negar muitas possibilidades, é abrir mão de outras qualidades que ela possa ter. A divisão deve ser feita por caráter, não por sexo, não por gênero. Há mulheres E homens filhos da puta. Há mulheres E homens íntegros. Há seres humanos, apenas.

Maria venceu por todas as gostosas legais que nunca venceram. O mundo não muda e a sociedade continua reacionária, conservadora e machista como sempre, mas ingenuamente, acredito que há luz no fim do túnel.