Você chorou, ligou, implorou. Enviou torpedos,
e-mails, cartas, flores, bombons. Venceu pelo cansaço, pelo amor exagerado,
pelos mimos, beijos e sexo bom. Era o cara certo, na hora errada. Eu não estava
preparada para toda sua intensidade amor, desculpe. Aí forçamos a barra,
forçamos a hora e deu errado. Eu sabia, eu te avisei. You know that I’m no
good.
Mas antes de dar errado, deu certo. Vc se tornou
meu melhor amigo, meu companheiro-de-todas-as-aventuras, o melhor homem que
conheci e, finalmente, meu amor. Eu te amei, sabia? Muito! Estive sempre
brigando com aquele meu lado libertino e o sufoquei pra ficar com vc. Fomos
felizes, lembra? Pena que não por muito tempo.
Minhas trevas chamaram de novo e eu quis ir embora.
Então você chorou, ligou e desta vez ameaçou e sofreu. Enviou torpedos, e-mails,
cartas. Bateu na porta da minha casa. Venceu por luta, por eloquência e por
mérito. O amor exagerado já não existia mais. Ficou só carinho e sexo bom. Tarde
demais, baby. Eu já estava mal acostumada com chocolate doce, detesto o
meio-amargo. Well... you know that I’m no good.
Aí eu decidi não ir mais embora e finalmente me
preparar para todo aquele seu antigo amor que não existe mais. Que tragédia!
Não temos timming, não temos sintonia, somos agora só rancor e dor, leões
perdidos em egos feridos, fadados ao fracasso. Agora eu sou a mulher certa, na hora errada. Agora fico ridícula numa cinta-liga, meu perfume é fedido, minha roupa é cafona, minha comida é salgada, meus filmes são chatos, ir ao cinema comigo, nem pensar.
E vc
se tornou um daqueles caras que sempre me esnobaram, me usaram e me fizeram
perguntar o que havia de errado comigo. Caras que eu aprendi, por
sobrevivência, a odiar e a descartar.
Não te reconheço. Hello, stranger! Game is over?
Podia ser qualquer um, mas vc não. Não meu amor, vc
não. Vc era aquele cara cujos olhos brilhavam ao me ver. Aquele que veio com
mentos e coca-cola nas mãos. Veio com piadas ruins, com casa, comida e roupa
lavada. Hoje seus olhos estão secos, suas mãos estão vazias. E não há mais nada
do homem que eu aprendi a amar. Do homem que, generosamente, esperou que eu o
amasse.
Desculpe, querido. Eu não posso esperar que vc me
ame de novo. Na verdade, não acho possível. Na verdade, nem consigo fazer isso. Também não quero. Não quero
testemunhar a morte do seu amor, do que resta do seu antigo eu. Deixe-me ficar
com as lembranças! E Desculpe por não dispor a mesma generosidade, é que não
tenho talento pra sofrer. Tipo, nenhum.
Não tenho talento pra (re) conquistar, convencer,
induzir, insistir, implorar. Não tenho talento para mandar cartas, e-mails,
torpedos, bombons. Nem talento, nem paciência. Sou dessas que conquista sem
querer, oops, i did it again! Sou dessas que prefere o já, o imediato. Tenho
urgência de viver, honey.
Eu não posso esperar porque não acredito no que vc
hoje chama de amor. Não acredito mais em vc. Em nós. Acredito mais no seu corpo, que diz a verdade quando suas
palavras mentem.
Não posso esperar porque o melhor de mim vinha de
vc. Do que vc era. Não sou nem a metade do que posso ser quando estou com medo,
insegura, triste, desconfiada. E aí também não posso te fazer feliz.
No mais, estou indo embora, baby. Vou, por não ter onde ficar. I told you, I was a trouble. You know that I’m
no good.
Leia também
EX BOA É EX MORTA E VICE-VERSA
EX BOA É EX MORTA E VICE-VERSA












